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A MENINA DANÇA?

12-04-2024 - José Janeiro

Sou do tempo em que nos bailaricos das aldeias, as moçoilas casadeiras esperavam ansiosas que os rapagões se aproximassem e as convidassem para dançar, procurando assim desencalharem e não ficarem para tias… bolas estou velho!

Não sei porquê, mas a cartinha publicada pelo Pedro Nuno Santos e que endereçou ao novel primeiro-ministro faz-me lembrar o convite, que os polhastros da época faziam às moçoilas: “a menina dança?”. Hoje, como naquela época, o objectivo era juntar os trapinhos e ambos desencalharem de um ínubo potencial que se poderia adivinhar.

A reedição do malfadado bloco central está a compor-se, com trocas de cartinhas de amor de quem quer casar com a carochinha que é rica e bonitinha. Claro que isto é uma estratégica maquiavélica dos dois partidos para numas eleições antecipadas gerirem o eleitorado, atirando-se um ao outro como gato a bofe. Acho que vai correr mal.

A tentativa de manter o poder a todo o custo e a maquinação da habitual de divisão dos cargos entre a clientela, leva os dois actores a engolirem alguns sapos para manterem o país ingovernável até Setembro, data do próximo orçamento.

Por um lado, o Pedro Nuno Santos, pretende marcar pontos antecipando-se para um acordo com os argumentos de soluções, as quais, o governo onde ele foi ministro nunca fez, ou que no limite, abriu a caixa de Pandora com as decisões que dividem classes profissionais. Por outro lado, o Luís Montenegro, não pode deixar de argumentar com um nim tendo como objectivo tramar e esvaziar o chico espertismo do outro. Em suma: tentam-se auto entalar mutuamente! E o país pode esperar á sombra de um excedente, que afinal não é excedente.

Se em vez destas jogatanas absurdas e de criancinhas que brincam num recreio chamado Portugal, se se preocupassem em tomar as decisões necessárias para o crescimento económico, para resolver os problemas da justiça, da saúde e da educação fariam melhor figura. Mas não o fazem por três razões objectivas (outras haverá): por um lado, querem ser os dois o galo da capoeira, por outro, por mais trampa que façam o seu ordenado está na conta no dia 20 de cada mês e, por fim, só podem ser despedidos com eleições e não são responsabilizados pelo que fizeram. Um fartote!

Assim, entretêm-se a brincar a ensaios de bailado, onde o palco é um país sucessivamente adiado e onde são sempre os mesmos que pagam a conta para assistirem, não num camarote, mas num circo onde os palhaços são um grupo de gente sem graça, inadequada, inútil e equivocada.

Mais uma vez, assistimos a critérios de selecção dos responsáveis políticos que envolvem diatribes e laços familiares, numa repetição dos mesmos do costume onde a competência é o ultimo critério, tal e qual como o PS original, este é, como sabemos, a cópia do outro.

Admito que estejamos perante um governo a prazo, muitos vaticinam até Setembro, e que por esse facto, possa ser mais complicado convencer os mais competentes a embarcar nisto, mas repetir a dose das mafias do PS, é a ultima coisa que o país precisa.

As variáveis são várias, mas duas verdades de lapalisse parecem evidentes:

Se o PR sobreviver ao caso ignóbil das gémeas, que hoje já tenta descartar tudo para cima do filho, poderemos em setembro ter três cenários, ou manter este grupelho de manta de retalhos em duodécimos, ou atirar o povo para outras eleições, ou ainda, hipótese que se parece estar a desenhar, que será a formalização tácita do bloco central, com um pacto de não-agressão. É verdade que haverá uns mimos públicos para justificarem as “diferenças” que não existem.

Se o PR não sobreviver ao caso das gémeas, o panorama adivinha-se mais obscuro e prolongar-se-á no tempo a agonia, deixando tudo para o próximo PR.

Claro que podemos sempre pensar que o caso das gémeas, e como é habito na justiça, se pode prolongar no tempo e os poderes presidenciais continuarem intocáveis e aí podemos assistir ao cozinhado em lume brando da coligação vencedora até á clarificação do fim de mandato do PR, procurando que este saia com alguma dignidade… e a batata quente passa para o novo PR a ser eleito.

Seja como for, se já estamos no pelotão da retaguarda do crescimento na Zona Euro, então possivelmente cairemos para um “ho(n)rroso” ultimo lugar, em breve. Somos o 6º país da zona euro com mais verbas do PRR, e como há muito vaticinámos, iremos desaproveitar esta enorme oportunidade de crescimento e continuaremos numa descida vertiginosa. Iremos mantar a senda de descida e voltaremos a ser ultrapassados por países da ex europa de leste, a nível económico e por países como Cabo Verde no ranking da corrupção.

Por certo, somos um país de sádicos, os partidos do costume, PS/PSD-AD, trouxeram-nos até aqui durante 50 anos, um país sem objectivos e sem esperança, e continuamos a votar nos mesmos e a acreditar no canto do cisne dos do costume.

Nunca o que foi dito por Júlio César há mais de 2000 sobre os Lusitanos foi tão certo: " Há nos confins da Ibéria um  povo que nem se governa nem se deixa governar."

E quem são estes Lusitanos?

Nas descrições históricas, são apontados como tendo os traços comuns como, o caráter guerreiro, a falta de unidade e de coesão política, uma vida rude. Estrabão, historiador, geografo e filósofo Grego, dizia que os Lusitanos eram "a mais poderosa das nações ibéricas e que, entre todas, por mais tempo deteve as armas romanas, que eram sóbrios e frugais bebendo água,  cerveja de cevada e leite de cabra (vinho apenas nos festins) e comendo pão feito de bolotas de carvalho, carne de cabra, peixe e manteiga. A contrastar com tanta austeridade, as mulheres aperaltavam-se com grande cópia de joias.”

… podia ser o retrato de hoje! Não aprendemos. Vergonha!

Até para a semana

José Janeiro

 

 

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