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PAINELEIROS, COMENTADEIROS & JORNALEIROS

15-03-2024 - Pedro Pereira

Quanto mais os paineleiros, comentadeiros e jornaleiros baterem no CHEGA, mais se afundam no ridículo e mais adeptos conquistam para ele. Este partido que ficou em primeiro lugar no Algarve, nas eleições legislativas, que congregou um pouco por todo o país mais de um milhão de eleitores, passando de doze para 48 deputados, foi um choque para os partidos enquistados no poder há quase cinquenta anos, nomeadamente os partidos do centrão (PS e PSD), que pensavam ser donos do país e que, pelo país e para os portugueses tem obrado à vez a olhos vistos, em governanças rotativas, tanto e tão bem, que estes, ingratos, jovens e menos jovens qualificados, continuam a fugir (emigrar) deste país para fora como só visto nos anos sessenta do século XX, em tempos de ditadura, para fugirem à miséria e à guerra colonial. Em contrapartida os governos à vez, com especial destaque para os últimos oito anos de desgovernação socialista, escancararam as portas à mão de obra desqualificada, asiática e de outras paragens, para substituir os portugueses compelidos a emigrar em busca de condições de vida condignas, mantendo os salários miseráveis aos que entram pelo país dentro, prosseguindo desta forma a pandemia de miséria por banda da maior parte dos residentes neste espantoso e maltratado país. 

Não obstante ter chefiado os governos mais ricos (e os maiores de sempre) dos últimos cinquenta anos, e de ter sido o segundo 1º ministro que mais tempo governou Portugal em democracia, em oito anos de exercício de poder, António Costa não fez uma só reforma do Estado, nem obras estruturais eternamente adiadas como o aeroporto ou o TGV. Muito embora tenha aumentado o salário mínimo, deixou enterrar o salário médio e apesar de ter distribuído subsídios/esmolas, conseguiu a proeza de aumentar o número de pobres. Os seus governos - sempre rodeado de tralha socrática - foram um completo desastre para o país, envoltos em escândalos que levaram à demissão de vários ministros e secretários de estado, para além da corrupção - essa grande doença fatal, ter continuado a alastrar pelo país como fogo à palha.

Passados oito anos desta bagunçada, o grande legado de Costa ao país, é uma economia dependente da receita dos impostos (bem superior aos do tempo da troika) e do turismo, uma classe média à beira do desespero e o aumento do número de pobres e dos sem abrigo.

Em quase cinquenta anos de governança à vez, os partidos do centrão conseguiram a proeza de colocar Portugal na cauda dos países da UE.

As cabeçorras pensantes, os comentadeiros, paineleiros e jornaleiros, continuam a botar faladura de cor, por ignorância, má-fé, porque são pequenos burgueses arregimentados pelos mandantes nos partidos do centrão, ou porque não viveram a ditadura salazarista, em que todos quantos não fossem da cor do regime, eram inscritos numa lista negra. Será que estas criaturas agora querem saber quem foram os mais de um milhão de votantes no Chega, para os colocarem também numa lista negra?

Se este é o conceito de democracia que defendem, então bem podem juntar-se aos saudosistas do regime fascista italiano, ou nacional-socialista alemão, chamado de nazi, por exemplo.

Depois, achincalham o Chega como de extrema-direita e de fascista, sabendo as criaturas perfeitamente que os estatutos desse partido foram aprovados depois de muitos obstáculos elencados pelo Tribunal Constitucional, que, por sinal, é composto por gente afecta ao PS e ao PSD. Logo, ao aprovarem os tais estatutos, é porque estão conformes com a Constituição que não permite ideologias fascistas. (O fascismo foi um regime de uma falecida ditadura, encabeçado por Mussolini em Itália).

Quem sabe de História e de Sociologia, destrinça perfeitamente um partido de extrema-direita de um partido de direita conservadora, que é o caso do CHEGA e do PND, este, por sinal, uma recauchutagem do partido que foi de Marinho e Pinto.

Diminuiu a abstenção porque os jovens não cuidam de saber o que foi o 25 de Abril de 1974 e quando conhecem o seu programa, não compreendem porque é que Portugal, quase cinquenta anos depois, é o mais pobre da UE, com um estado de saúde pública desgraçado, um ensino onde os professores são tratados como serventuários, umas forças de segurança maltratadas e desautorizadas, umas forças armadas residuais (e logo em tempo de guerras em regiões próximas), uma dramática falta de habitação; falta de ofertas de emprego condizentes com a formação dos jovens, com uma verdadeira epidemia de corrupção em que, quanto maior o nível da corrupção com criaturas ligadas aos partidos do centrão, mais impunidade reina. Com uma Justiça forte com os fracos e fraca com os fortes; com um custo de vida brutal e baixos salários médios, etc., etc.

Em 25 de Abril de 1974, milhões de portugueses tiveram a felicidade de assistir ao restauro da democracia. Logo que lhes foi dada a oportunidade de votar, fizeram-no com índices mínimos de abstenção, quer nas eleições para a Assembleia Constituinte, quer para as autarquias. Porém, passada a euforia, à medida que nos anos seguintes mais eleições houve, o número de abstencionistas foi aumentando. É claro que os partidos com assento parlamentar não se preocuparam muito com isso, uma vez que adoptaram o postulado das religiões, ou seja, considerarem os seus adeptos como fiéis e quanto aos outros… que se lixassem…

Foram esses, os que se entusiasmaram em 1974 e aos poucos, ao longo dos anos, se desencantaram com a prática sobretudo do bipartidarismo (PS/PSD) foram deixando de votar, e mais os jovens, os que votaram no Chega e em outros partidos que não do centrão. Aqui se encontra a explicação para a redução dos índices de abstenção.

Recordando o que já aqui afirmamos em tempo, nesta etapa da História de Portugal, é evidente que o problema do país é estrutural e sistémico e, só com urgentes reformas do sistema político/eleitoral, do sistema de Ensino e valorização da carreira docente, de ordenamento do território, da valorização dos trabalhadores e da meritocracia, da reforma da Justiça, da valorização dos órgãos policiais, do Serviço Nacional de Saúde, das chefias dos vários órgãos do aparelho autárquico e dos organismos do aparelho do Estado em geral, será possível inverter o rumo suicidário da nação.

Pedro Pereira

 

 

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