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DA DESVALORIZAÇÃO DA MERITROCRACIA DOS TRABALHADORES

22-09-2023 - Pedro Pereira

A questão dos salários miseráveis dos trabalhadores em Portugal é como que uma doença endémica. Um flagelo nacional.

Nos dias de hoje, uma vez mais, acrescidamente, em comparação com a última década, os trabalhadores enfrentam problemas que resultam, primordialmente, em dificuldades para satisfazer as suas necessidades básicas. Além disso, cresce o coro de críticas de que a meritocracia, ou seja, a valorização do mérito e do desempenho dos trabalhadores, na maior parte dos casos não é levada em conta na determinação dos salários, nem outras regalias de que são merecedores, quer no sector privado, quer na função pública.

A maior parte dos trabalhadores portugueses auferem salários mínimos ou escandalosamente baixos, incluindo na função pública, de que são desconhecedores muitos concidadãos que não trabalham nem têm familiares como seu sustento nesse sector, comparativamente ao custo de vida e aos padrões dos trabalhadores dos restantes países comunitários.

Grande parte dos trabalhadores em Portugal, enfrentam no quotidiano, desafios cada vez mais difíceis, para conseguirem arcar com as despesas básicas, tais como a alimentação, habitação, saúde e educação.

O desnível entre o custo de vida e os salários é abissal, incluindo em sectores fundamentais, como na Saúde. Por exemplo, na vizinha Espanha, os medicamentos e o custo das consultas no sector privado, são mais baixos.

Além disso, são do domínio e comentários públicos, as críticas em relação à falta de uma verdadeira meritocracia no sistema de remuneração e justa ascensão profissional em Portugal. Por esta razão, muitos são os que argumentam que em alguns sectores públicos e empresas, a progressão na carreira e a determinação dos salários não são baseadas apenas no mérito e no desempenho dos trabalhadores, mas sobretudo em outros factores, como nepotismo, amizades, sexismo, favorecimento pessoal ou mesmo discriminação de vária ordem.

A falta de meritocracia é, naturalmente, geradora de insatisfação e desmotivaçãoentre os trabalhadores, que se sentem desencorajados para se esforçar a procurar desenvolver a excelência na sua actividade laboral, visto que as suas remunerações não se encontram diretamente relacionadas com o seu desempenho. Além disso, contribuem para a desigualdade salarial, onde trabalhadores com as mesmas qualificações e desempenho recebem salários diferentes devido a factores não relacionados com o mérito, o que sucede, por exemplo, entre trabalhadores autárquicos e empresas municipais, onde a cor política partidária dominante na autarquia penaliza o trabalhador que for de outra facção política.

É importante referir que a questão dos salários miseráveis e a falta de meritocracia são questões complexas, que envolvem múltiplos factores, acrescidos ao atrás referidos, como a situação política e económica do país, a competitividade do mercado de trabalho, as políticas de remuneração das empresas e as relações laborais. A solução para esses problemas não é simples e requer uma abordagem abrangente e holística, envolvendo ações dos governos, das empresas, das associações patronais, dos sindicatos e dos próprios trabalhadores.

É fundamental que os trabalhadores sejam valorizados de forma justa e que a meritocracia seja levada em consideração na determinação dos salários, para que possam ser adequadamente recompensados pelo seu esforço e desempenho. Políticas de transparência e equidade na remuneração, assim como incentivos para a formação e capacitação dos trabalhadores, podem contribuir para uma maior justiça salarial e uma sociedade mais equilibrada e equitativa.

Em Portugal, a questão dos aumentos salariais tem sido desde há vários anos, um tema de grande preocupação, como por exemplo, nas classes profissionais dos médicos, enfermeiros e professores. É um facto que os seus salários são miseráveis, comparativamente aos seus colegas dos demais países da EU e, quando o governo lhes concede aumentos salariais, estes, normalmente, são considerados miseráveis, não acompanhando a inflação e não refletindo adequadamente o valor e a importância das classes laborais na sociedade.

Por isso, muitos médicos, enfermeiros e outros agentes de saúde, queixando-se dos salários baixos e das más condições de trabalho, incluindo a falta de pessoal e a sobrecarga de trabalho, têm emigrado em grande quantidade nos últimos anos para outros países em busca de melhores condições salariais e de trabalho, o que tem impactado negativamente no sistema de saúde português.

Os professores por sua vez, também vem enfrentado dificuldades no que diz respeito aos aumentos salariais e valorização das suas carreiras. Estes profissionais têm reclamado da falta de atualização salarial e do desfasamento entre os seus salários e o custo de vida, a que acrescem desafios adicionais, como a crescente carga de trabalho, a burocracia excessiva e a falta de recursos nas escolas.

É essencial e urgente investir na valorização dos profissionais de saúde, de ensino e de outros sectores laborais, como forma de evitar a hemorragia/emigração de trabalhadores especializados e capacitados para desenvolverem o bem-estar dos seus concidadãos e o desenvolvimento do país. Ao invés do que vimos assistindo, que é a importação de mão-de-obra estrangeira desqualificada e barata, como o governo e muitas entidades profissionais adoram, que vão conduzindo ao definhamento e miséria do país.

Pedro Pereira

 

 

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