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OS FALA-BARATO

09-06-2023 - José Janeiro

O processo tutti-fruit veio por a nu o pior dos 50 anos de democracia no nosso país. Poderíamos imaginar, por uns momentos, que seria o lado B das malfeitorias dos nossos políticos, se por momentos viéssemos de Marte, ou fossemos extraterrestres, mas esta é a “normalidade” que se falava á boca pequena, ou não fosse por todos mais ou menos conhecida esta realidade.

Mensagens destas:

“ó Ivone negoceias logo uma coisa para ti a administrar uma merda qualquer” Sérgio Azevedo (ex-deputado do PSD)

“ eu estou-me a cagar eu quero é ordenado” Ivone Gonçalves (PSD Loures)

põem a nu o que o chamado bloco central, pensa do sistema politico enquanto seu quintal de interesses. A distribuição pelo sistema “pataco a ti, pataco a mim”, sem olhar ao mais elementar princípio de competência dos intervenientes, diz muito sobre a qualidade das escolhas dos partidos, mais preocupados com as clientelas e gestão de forças do poder do que com as populações que os elegem. Um nojo portanto.

Como se isto não bastasse para nos produzir um enorme asco pelos intervenientes, ainda assistimos aos líderes políticos, muitas vezes responsáveis directamente pelas suas escolhas a assobiarem para o lado e com as já velhas e desgastadas expressões que têm como objectivo apenas o esquecimento da memória colectiva dos descalabros e da perversidade dos actos que praticam. Expressões como: “á politica o que é da política e á justiça o que é da justiça” ou a estafada: “é preciso apurar”, entram no léxico comum como quem espera apenas que a poeira assente e que se lave o esterco de forma natural. Nem o Omo consegue lavar mais branco do que o tempo e a inercia dos políticos sobre os casos escabrosos que vêm a lume.

Continuamos a assistir impávidos e serenos ao infortúnio das inúmeras e incontáveis notícias sobre as malfeitorias que os intervenientes políticos produzem sem que a justiça actue e sem que no final exista uma condenação com mão de ferro que sirva de exemplo. A impunidade que recai sobre os actores desses malefícios para o bem comum, é a tónica do sentimento geral da população quando estes casos vêm a público. Ou o poder judicial, actua com total desprezo por tudo o que é o bem colectivo, ou está de tal forma subjugado e comprado por salários e condições remuneratórias que lhes permite tudo fazer para que os prazos se esgotem e os processos se arquivem, satisfazendo assim os seus “patrões”.

Uma sondagem de 2017, imaginem já vem daí, da Aximage, indicava que o inquilino de Belém, é para 20,3 % dos inquiridos, um “demagogo-fala barato” e para 15,4% um “arrogante e vaidoso”. Se fosse só este o politico assim, estaríamos bem enquanto panorama dos nossos idiotas de estimação, mas não é assim, a prática corrente é exactamente a mesma, e é transversal a todos os governantes ou candidatos a tal.

Um meu professor de Comunicação do Mestrado, um dia partilhou connosco, aquilo que ele chamou de “barilabia”, que mais não era que o ex-libris dos fala-barato, em que ele próprio criou um sistema que permite qualquer um parecer um eloquente orador sem dizer nada de concreto. Começo a acreditar que os políticos aprenderam com o saudoso Prof. Carbonell como se devem comportar na sua suposta oratória.

Enquanto os intervenientes políticos continuarem a usar e a abusar da estratégia “fala barato” para continuarem a tapar o sol com a peneira e enquanto os cidadãos desprezarem as suas responsabilidades e acharem de maior importância um campeonato de futebol em detrimento da vida comum, o espaço para os fala barato continuará a ser um campo proveitoso para esses políticos nojentos.

A culpa da qualidade das escolhas partidárias, para serem opções de cargos electivos, deve ser assacada aos partidos, mas enquanto sistema eleitoral continuar a ser o actual, estes intervenientes nojentos não irão desaparecer do espaço publico.

Quantos de vós no seu círculo eleitoral ou concelho, se preocuparam em conhecer as propostas partidárias para as listas electivas? Quantos de vós os avaliaram de forma eficaz para além da “marca” partidária? Quantos de vós ficaram em casa desresponsabilizando-se da sua obrigação de escolha? Acho que todos sabemos as respostas.

Parabéns aqueles que permeáveis aos fala barato, conseguem acrescentar o desinteresse á lista das atitudes escabrosas que nos trouxeram até aqui, numa inercia absurda e numa “aceitação” por esse facto do sistema vigente.

Até á próxima.

José Janeiro

 

 

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