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A DESORDEM NACIONAL

31-03-2023 -

Perfazem no próximo mês de Abril, 49 anos, desde que um golpe de estado derrubou um velho e caduco regime que levava de vida, cerca de meio século. O regime de ditadura de Salazar, que se havia seguido à ditadura militar instaurada em 28 de Maio de 1926, derrubando a bandalheira em que havia caído a 1ª República.

Os últimos anos da ditadura criada por Salazar, foram, já sem o seu mentor, que a parca levou em 1970, na sequência da queda de uma cadeira de praia, incapacitando-o para o governo (coisas que também acontecem aos ditadores) substituído que foi em 1968 por Marcelo Caetano, que encetou uma variante do regime, a que alguém denominou de “evolução na continuidade”.

Chamaram à revolta castrense do 25 de Abril de 1974, de Revolução dos Cravos, mas revolução não foi, porque os sinistros responsáveis pelo regime, como ministros e quejandos governantes, torcionários, bufos e pides, dos que sobrevivem até hoje, continuam impunes, muitos deles, bem instalados na vida, reintegrados em tempos pós-revolucionários na função pública, alguns deles condecorados pelo presidente Cavaco.

A descendência pidesca continua por aí à rédea solta, a começar no seio das autarquias…

Houve sem dúvida, na sequência desse dia, profundas transformações nalguns sectores da vida portuguesa, mas naquilo que é mais importante, no sentido de conduzir o país a uma verdadeira Revolução, tal ainda não sucedeu, ou seja, uma profunda mudança de mentalidades, tendo por base valores como a solidariedade, a entre ajuda, a educação cívica, a criação e repartição da riqueza produzida, mas, sobretudo, a tomada de consciência de que Portugal só será aquilo que cada um e todos os portugueses quiserem e não, o que um qualquer governo queira, porque os "donos" dos País são todos os portugueses e não um grupo de criaturas que na época da caça ao voto são eleitos e depressa se apossam dos destinos do país como casa sua, a modos como que um albergue espanhol. Assim acontece actualmente…

Lamentavelmente verificamos em cada eleição legislativa ou autárquica que passa, um abandono, um deixar cair os braços, o demitir-se dos seus direitos de cidadania por parte de uma percentagem cada vez maior de portugueses, que se expressa nas crescentes percentagens de abstencionistas.

O 25 de Abril de 1974, foi um golpe de Estado eivado de equívocos, libertador dos espartilhos de um regime esclerótico. Libertador?... Antes, restaurador do direito de expressão, do direito de voto e com isso, do aparente direito à condução pelo povo do seu destino.

Fugaz ilusão... é que o voto só por si não resolve os problemas sociais, económicos e outros, o voto - a delegação do poder de cada cidadão - que conduz ao poder personagens que a maior parte dos eleitores desconhece, não é uma varinha mágica ou panaceia e, daí, o crescente desencanto de muitos milhar de cidadãos, que não só vêm o estado da Nação a agravar-se, como sentem, também, que são cada vez menos escutados por banda daqueles que elegeram. Tratados como meros espectadores do seu destino e até, como inimigos do seu status político/económico.

O divórcio entre eleitos e eleitores, entre dirigentes políticos (das cores políticas dos partidos do rotativismo) e o povo, é um facto cada vez mais evidente.

A maior parte dos políticos (eles e elas) depois de eleitos, assim que assolapam os quartos traseiros nos cadeirões que lhes foram destinados, invariavelmente assumem posturas arrogantes, de donos dos cargos que passam a exercer, como se um cargo político fosse uma profissão e não uma missão transitória em prol da defesa dos seus concidadãos e do país.

É uma tristeza esta constatação, segundo o conceito pleno da Democracia, mas também se pode solucionar esta questão, acabando-se com equívocos e criando-se um sindicato dos políticos, enfim, regulamentando-se a profissão de político, se acharem por bem, podem até criar uma Ordem. Deixemo-nos de utopias (os que ainda as têm) e clarifiquemos esta situação de uma vez por todas.

Temos de concordar, que quase cinco décadas de regime de ditadura, deixou marcas profundas na sociedade, sobretudo ao nível das mentalidades. Durante esse tempo, a maior parte do povo foi habituada a ter quem decidisse do seu destino. Nesse tempo, os poucos, aqueles que não se conformavam, iam malhar com os ossos nos curros da PIDE, quando não a sítios piores. Por isso, Salazar foi, sem dúvida, o maior “fabricante” de comunistas, porque todo aquele que se manifestasse contra o regime era logo acusado de ser comunistas com as consequências que daí advinham.

Quarenta e nove anos passados e grande parte do povo continua a deixar mansamente quem decida do seu destino, muito embora barafuste em surdina, tem medo, por vezes terror, em se expressar publicamente contra o sistema. Não existe oficialmente a polícia política, a censura, mas existem outras formas mais subtis, modernaças, de coacção psicológica e perseguição laboral, atacando o ganha-pão de todos quantos se manifestam publicamente contra o regime concentracionário em curso. Antes, nos tempos salazaristas, existia a censura que limitava a comunicação social aos sabores do regime. Hoje, que não há censura oficial, quem escreve ou se expressa publicamente, tem de se autocensurar em cada linha que escreve, não vá o diabo tecê-las e depois acabar enrolado em tribunais, perseguido e desempregado.

Quem trabalha como subalterno, quer numa empresa, quer na função pública, tem de ter cautela com os seus ardores partidários, salvo se forem da cor dos do chefe, e por aí fora. É um fartar vilanagem.... É uma tristeza de viver...

Enquanto o povo não tomar consciência da força que tem, que o seu destino só por ele pode ser feito, com as suas mãos, mas que para isso tem de estar unido, só nessa altura então, pode ter (poderemos ter) a certeza numa vida melhor, num porvir e Portugal melhor, que nos orgulhe quando a parca nos levar, de deixar um país mais justo, fraterno e solidário aos nossos vindouros.

Pedro Pereira

 

 

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