Ministério da Educação sem savoir-faire
31-03-2023 - Joaquim Jorge
A Educação não tem paz. O ministério continua a incendiar as relações com os professores.
A última, é que os sindicatos não cumpriram o prazo legal do pré-aviso de greve.
Esta greve é ao “sobretrabalho”, serviço extraordinário, componente não lectiva na Escola e ao último tempo lectivo de cada docente.
Estas greves têm um efeito simbólico e de alerta, não incidem sobre actividades consideradas necessidades sociais impreteríveis e por isso bastam cinco dias úteis de antecedência para a apresentação dos pré-avisos.
Eu sei que toda a gente está farta de greves, mas não há outra forma de as pessoas se fazerem ouvir e a opinião pública perceber o que se passa, assim como, o que está em jogo.
Ninguém faz greve por birra ou porque lhe apetece. Fazer uma greve dá imenso trabalho e mexe nos bolsos dos professores, já de si vazios.
Este ministro João Costa e o secretário de estado Antonio Leite têm falta de savoir-faire e lisura de processos para se chegar a um entendimento.
Começaram por criar a suspeição de greves ilegais, depois só negociavam sem marcação de greves, entregaram as propostas à hora das reuniões com os sindicatos sem permitir uma análise prévia e ponderada, agora questionam o aviso de greve.
O excesso de exigência cria desobediência. A falta de tolerância, leva à intolerância e crispação.
Numa reunião para se chegar a um acordo têm que haver cedências de parte a parte e, quando uma das partes ( ministério) esconde o que propõe até ao início de uma reunião algo vai mal. O Ministério mostra falta de transparência e correcção.
O Ministério sempre negociou numa atitude persecutória, pensando no desgaste e divisão dos professores.
O clima de desconfiança, quererem controlar todo este processo que lhes fugiu das mãos é inadmissível.
Começo a pensar que vivo numa democracia musculada, dissimulada e de pensamento num só sentido.
Os socialistas, quando as coisas não lhescorrem bem ou receiam perder os seus lugares, têm estes tiques e manias fascizantes do tempo da outra Senhora. O Salazar deve estar a rir-se disto tudo.
Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores
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