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DEUS MORREU!

17-03-2023 - José Janeiro

Não é possível olhar para a serie de broncas e horrores recentes da igreja católica sem nos questionarmos, se o deus que se apregoa está vivo. Faço previamente uma declaração de interesses: desde há 35 anos que estudo, como hobby, as religiões do mundo, porque sempre achei que isto não batia certo e culminou com a minha convicção de ateísmo militante. Perante isto, há muito que me convenci que a religião é um engano, que explora as dúvidas existenciais do ser humano e que o tal deus, seja em que dimensão seja, é apenas um mito. Aliás, a origem das religiões é baseada em mitos que se foram “afinando” ao longo dos milénios e originando conceitos, mas isso não é para esta cronica.

Sim. Deus morreu e não têm coragem de avisar os que nele acreditam.

É impossível, crentes e não crentes, ficarem indiferentes á sucessão de barracas e mal feitorias por onde a Igreja, tem ultimamente “navegado”, com os casos, os casinhos e acima de tudo, a forma como os sucessivos protagonistas têm lidado com os problemas, numa arrogância de intocabilidade, porque serão os representantes de um deus-mito na terra e estão, por isso, acima dos julgamentos terrenos. É ignóbil!

A igreja, e porque não dize-lo de forma genérica, as igrejas, enquanto religiões, ao longo da historia da humanidade, foram sempre gente pouco recomendável, basta investigar um pouco e sem esforço, e encontramos imensas referencias no passado e no presente das diferentes confissões religiosas de forma transversal, com mais ou menos “molho”, que são autênticos actos criminosos.

Mas centremo-nos nos acontecimentos que foram sendo recentemente destapados que representam e demonstram, para os comuns dos mortais, a falsidade que a igreja, e agora só falo da católica, assumiu nestes dois últimos acontecimentos: palcos e pedofilia.

Sobre a situação dos palcos já tive oportunidade de falar em Fevereiro na cronica “O PAPA VAI NU”, tal a incoerência entre o sentimento de partilha e apoio aos mais necessitados, que tanto apregoam, como uma base Cristã. Mas é mais forte que eles, substituem a humildade, pela soberba, a pobreza, pela grandeza e os ensinamentos dos livros sagrados, pela exploração humana. Jesus Cristo, o inspirador do Catolicismo, e a ser verdade que existiu, não há provas fora do Novo Testamento, sempre rejeitou esta grandeza e exploração e terá por isso morrido.

Só um detalhe, ele, Cristo, nunca quis ser Cristão, apenas e só um bom judeu e os seus discípulos encarregaram-se de se aproveitar de um suposto martírio para fundar o que hoje temos, curiosamente começaram cedo as guerrinhas internas, a acreditar nos Atos dos Apóstolos.

É impossível que qualquer Cristão, com um mínimo de bom senso, vá àquela festança das JMJ sem se questionar e sem se envergonhar do que está a ser gasto e do quanto aquele dinheiro poderia ter outro destino para o bem comum, aí sim num acto puramente Cristão. Mas a ultima coisa que os Cristãos, na sua maioria, têm é consciência, porque querem comprar o seu passaporte para um qualquer céu, e exemplos desses não faltam, desde os santuários marianos de exploração económica, até á mais simples igreja, com um poder local de coleta económica e agora com uma festarola escandalosamente cara e contra os mais básicos princípios da religião católica. Se Cristo vivesse de novo, morreria de desgosto, por certo.

Mas se este acto já era inqualificável, a forma como foi gerido pelos “Pilatos” da Igreja, agora a nova questão da pedofilia, e a forma como trataram o assunto, foi de uma soberba que só veio a confirmar o alheamento entre os ditos “pastores” e o seu dito “rebanho”, num nível “hierárquico” de intocabilidade, entre nós, os iluminados, e vocês os outros, a ralé, que não entendem estas coisas do espiritual.

Vi na internet, um quadro, que não sei quem é o seu autor, que aqui reproduzo, e que diz tudo, não precisando de palavras, tal o ridículo em que caíram, ao ponto de muitos terem solicitado a apostasia, ou seja a anulação do baptismo.

O que mais impressiona no meio de todo este processo, não é só o acto repulsivo dos que deviam cuidar, é bem mais além, é o procurar silenciar as vitimas, diziam-lhes, que se falassem iam para o inferno, é acima de tudo a forma perversa, calculista, que juntamente com a forma como usam uma autoridade supostamente conferida por um deus-mito, o tal poder espiritual, segundo eles, que se atrevem a culpabilizar, amedrontar e seduzir menores, violando-os no seu sagrado íntimo. É apenas abjeto.

A forma, displicente como trataram o problema e a pouca, ou nenhuma empatia, com que lidaram com as questões num acto de desprezo de suposta superioridade e intocabilidade moral, faz com que o asco seja maior. O presidente da Conferencia Episcopal Portuguesa, o inqualificável Bispo José Ornelas, numa entrevista a propósito do pagamento de indeminizações, disse que as vitimas deviam apresentar facturas dos danos causados, mais ridículo do que isto julgo que não haverá.

Se deus fez o homem á sua imagem e semelhança, esse deus é um tipo pouco recomendável e deixa muito a desejar. Claro que eu acredito mais que não é o homem uma “invenção” de deus, mas o contrário, deus é sim, uma invenção do homem.

Sim, deus está morto e não avisaram os crentes.

Até á próxima

José Janeiro

 

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