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VAMOS A VOTOS

29-10-2021 - Francisco Pereira

O Governo caiu, mas também fez por cair. A Geringonça morreu, viva a geringonça. Bloco e PCP, pretenderam descolar do PS, uns e outros possuem agendas próprias, o Bloco quer recuperar eleitorado, o PCP quer qualquer coisa que ainda ninguém percebeu o que é, felizmente o PCP está na mesma rota que o CDS, a rota de uma anunciada e inexorável extinção.

O orçamento era mau, dizem uns, era o possível dizem outros, pessoalmente cada vez mais acredito que nós não temos dinheiro para ser um país, especialmente para sermos um país nestes moldes, com tanto parasita, com tanta coisa à borla, com tanta benesse sem retorno nenhum de espécie alguma, um país que mais se parece com uma grande Santa Casa da Misericórdia do que com um país digno desse nome, Portugal mais parece um orfanato sórdido a esboroar-se cada vez mais pelintra, onde adoram presumir grandeza, evocar isto mais aquilo, defendendo patranhices ao invés de olhar ao que aí vem.

Sua Excelência o senhor Presidente da República, munido das armas que a legislação lhe confere, num registo sobejamente conhecido, assim que se começou a questionar a viabilidade do orçamento, tratou logo de avisar as hostes, que dissolveria a enxovia parlamentar, aquele cóio de madraços, mandando o governo às malvas, convocando de seguida eleições legislativas antecipadas, meteu os pés pelas mãos, redundando nas suas habituais trapalhadas do diz que disse, mas que não queria dizer o que disse, já nos habituámos a isso.

Com a dita Esquerda estilhaçada, dividida pelas suas várias capelinhas, com a Direita fragmentada em total desnorte, das eleições pouco espero, antevejo que vamos tão somente trocar a cor ao balde, lá dentro o conteúdo acastanhado, exalando eflúvios pútridos será o mesmo. No PSD, Rio ver-se-á engolido, figuradamente claro está, por Rangel, resta saber se isso será antes ou depois das eleições legislativas, a guerra interna retirará quase toda a capacidade de manobra a um e a outro, as eleições internas, serão um regabofe, como são quase sempre as eleições internas deste tipo de partidos, a “ala coelhista”, quer exterminar Rio e a sua trupe, Rio tenho-o por um político sério, com um verdadeiro sentido de Estado, coisa que Rangel e a sua tropa fandanga não sabe nem sonha sequer o que seja.

Mas indiferentes a essas questiúnculas, iremos a eleições, num qualquer Domingo de um frio e chuvoso Janeiro, lá iremos em procissão até aos pavilhões e às escolas, daí espero que saiam escolhas com algum acerto, sendo certo que será a abstenção que irá novamente vencer, prevejo-a entre os 45 e os 55%, se errar, farei a mesma figura daquelas empresas que cobram milhões para elaborarem sondagens e fazerem o mesmo que eu fiz, atirar ao calhas.

Quanto aos resultados, não faço futurologia, ainda assim, creio que o PS levará pra tabaco, que o PSD saíra vencedor, o Chega, estou em crer será porém o único grande vencedor, quanto aos restantes o interesse estará em saber se é desta que o CDS passa de partido do táxi a partido da trotineta, saber se o Bloco ainda contará para alguma coisa, se o PAN conseguirá manter e ou aumentar a sua relevância, creio que o PAN será outra surpresa, pela negativa.

Quanta à restante tralha partidária, finalmente desaparecerão aquelas aberrações das deputadas não inscritas, mais o IL, este último esvaziar-se-á de eleitorado se acaso Rangel assumir as rédeas laranjas porque os “liberaleiros” sentir-se-ão novamente representados, dado que a Direita em Portugal parece ser o PSD, que é como sabemos um saco de gatos assanhados sempre prontos a navalharem-se uns aos outros, dizia eu que a Direita é esse partido mais os seus descontentes, leiam-se Chega e IL, os liberais com Rangel vão poder novamente cavalgar o capitalismo selvagem que querem implementar escravizando quem trabalha, quanto ao CDS, depois de arruinado pela senhora Cristas dificilmente recuperará. Quanto aos patetas do PCP, já sabemos cantarão mais uma vitória, com menos votantes como de costume e avante camarada, queremos é embolsar uns milhares com os votos.

Espero no entanto ansiosamente que o povinho eleitor tenha aprendido alguma coisa nestes últimos anos, que não caia mais em oferecer maiorias absolutas a bandalhos partidários, a nossa propensão para o “sebastianismo” redentor e salvífico volta e meia faz das suas, ademais tendo os anteriores patéticos e intelectualmente indigentes exemplos de Cavaco e Sócrates, como bitola para aquilo que jamais se deverá repetir, uma maioria absoluta.

Quanto a expectativas, não espero nada, Esquerda e Direita em Portugal são faces da mesma moeda gasta, já não trazem nada de novo, não tem coragem, não tem objectivo algum, excepto enriquecerem e fazerem enriquecer os amigos com as suas trafulhices e vigarices. Esquerdas e Direitas mais se governam do que deixam governar, presas por grupos de pressão, medrosos, vítimas das suas traficâncias estão na mão dos corporativismos mafiosos, trata-se mal quem trabalha, quem produz e quem paga impostos, enaltecendo os bandalhos e os madraços.

Vamos a votos e como diriam os velhos patrícios “Alea jacta est”.

Francisco Pereira

 

 

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