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Este concelho não é para jovens!

07-09-2013 - Humberto Neves

Começo o meu primeiro artigo para “O Notícias de Almeirim” com uma referência pessoal ao Eduardo Milheiro, criador e impulsionador deste projecto ao qual agradeço, desde já, o facto de me ter convidado a participar.

Apesar de residirmos na mesma cidade, conheci pessoalmente o Eduardo apenas em 2006, num almoço que contou com a presença de seis bloggers almeirinenses. Da conversa à volta da mesa fiquei a conhecer algumas histórias que resumem aquilo que ele é: um homem de causas e de convicções. Por estar ideologicamente no lado oposto ao dele, não concordo com muitas delas, mas isso não me impede que o admire por lutar pelo aquilo em que acredita, independentemente dos riscos que daí possam advir. Creio que um dos problemas deste país é o facto de querermos estar sempre bem com Deus e com o Diabo e de não querermos assumir, com frontalidade e clareza, as nossas escolhas.

Para este primeiro artigo escolhi um tema que já aflorei no início do ano no Almeirim 2013, e que se prende com a falta de visão dos executivos socialistas para desenvolverem, económica e socialmente, o concelho de Almeirim. Apesar de correr o risco de me tornar repetitivo, julgo ser um assunto de extrema importância e que deve merecer a atenção de todos os almeirinenses, principalmente aqueles que no próximo dia 29 de Setembro serão chamados a eleger o novo governo local.

Para que exista desenvolvimento social e económico é fundamental que haja, em primeiro lugar, estabilidade política. E isso foi conseguido a partir de 1993, ano em que foi alcançada a primeira maioria absoluta da era Sousa Gomes. No entanto, o desenvolvimento económico do concelho foi sendo relegado para segundo plano. Para as maiorias socialistas de Almeirim, o objectivo principal da sua governação foi sempre o de assegurar a sua re-eleição nas eleições seguintes.

A par da estabilidade política, a localização é um factor chave e Almeirim, nesse aspecto, é um concelho privilegiado. Só que, para desenvolver economicamente um concelho, é necessário atrair empresas. E estas instalam-se tendo em linha de conta, para além de todos estes factores, a fiscalidade que determinado município pratica. No caso concreto do município de Almeirim, a fiscalidade praticada por este é inimiga do desenvolvimento económico. Não deixa de ser curioso constatar-se que quem critica o actual governo pela elevada carga fiscal que impôs aos portugueses também a pratique localmente, com a agravante de que esta não é recente.

Para além de todas as vantagens do ponto de vista económico inerentes à instalação de novas empresas num concelho, temos que ter em linha de conta também a perspectiva demográfica. O jornal “Público” publicou, na sua edição online, um dossier sobre os municípios portugueses com alguns dados sociais e demográficos, sustentados nos Censos 2011. Os números relativos a Almeirim (http://www.publico.pt/autarquicas2013/municipio/almeirim) são preocupantes:

  1. Índice de Envelhecimento(1) de 145,2 quando a média nacional era de 127,8;
  2. Taxa de Desemprego de 14,1% enquanto o país registava uma taxa de 13,2%;
  3. Mais de um terço da população almeirinense (37,2%) é pensionista;
  4. Os beneficiários de RSI correspondem a 7% da população (a média nacional era, em 2011, de 5%).

A causa destes números reside na política levada a cabo pelos sucessivos executivos do Partido Socialista na Câmara Municipal de Almeirim e que não permitiu o desenvolvimento económico do concelho. Poucos são os jovens almeirinenses que, após a sua formação académica, regressam à terra natal. Por aqui vão ficando os mais velhos aumentando, dessa forma, a relação entre jovens e idosos e a percentagem de pensionistas. Os que não conseguem emprego engrossam os números dos desempregados e dos beneficiários do RSI. Objectivamente, este concelho não é para jovens!

Tenho afirmado que estas eleições marcam o fim de um ciclo político e o início de um novo. Espero que o próximo executivo municipal dê especial enfoque a este problema. Almeirim já perdeu demasiado tempo e hipotecar mais quatro anos pode significar o definhar de um concelho que possui enormes potencialidades de desenvolvimento.

Humberto Neves

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(1) Relação entre a população idosa e a população jovem, definida habitualmente como o quociente entre o número de pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos.

 

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