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O número dois do Chega é (ou foi) terrorista?

16-02-2024 - Nuno Teixeira Da Silva

“Nunca foi condenado”, lembra Ventura. Estava numa associação que “matou um padre”, reage Mortágua. Por onde andou Diogo Pacheco de Amorim.

O assunto está longe de ser novo mas voltou à agenda mediática por causa do debate entre André Ventura e Mariana Mortágua, na campanha eleitoral para as legislativas de Março.

Durante a conversa desta terça-feira, Mortágua atirou: “O seu partido (Chega) é que tem como número dois um dirigente da principal organização terrorista em Portugal, que fez 600 atentados e foi responsável pela morte do Padre Max”.

Nenhum nome foi mencionado mas o próprio Ventura fez logo a associação, que era fácil de se fazer: estava a falar sobre Diogo Pacheco Amorim.

O deputado tem agora 74 anos; curiosamente completa 75 anos no dia das eleições, 10 de Março.

Aliás, é mais do que um deputado: é visto como o ideólogo do Chega.

Estado Novo, Coimbra, 25 de Abril

Mas tem realmente um passado “duvidoso”. Desde logo, a nível familiar. Lembrava a revista Visão que o seu avô era monárquico, mas próximo de Salazar (cresceu no meio da elite dos tempos da ditadura); e o seu tio fundou o Partido do Progresso, de extrema direita, no pós-25 de Abril.

Logo aos 6 anos já começava a espreitar as tertúlias com políticos – incluindo ministros do Estado Novo – que havia em casa do seu avô. O interesse começou cedo.

Estudou filosofia em Coimbra. Durante a licenciatura faltou às famosas greves dos estudantes em 1969. Era descrito pelos colegas universitários como “fascista”, contou o próprio à revista Sábado. Na reacção, entre “pancada”, chamava “comunas de m…”.

Foi um dos criadores do Grupo da Cidadela, movimento de direita anti-greves e que defendia por exemplo a manutenção dos territórios em África (uma das ideias era passar a capital de Portugal para Luanda).

Os anos passaram, continuou a ser visto como fascista e, poucos meses depois do 25 de Abril, foi enviado para os Açores por causa disso. E desde cedo “duvidou” da Revolução dos Cravos: “Toda a malta de direita estava nos Açores – o que para eles correu mal porque depois acabámos com o 25 de Abril nos Açores. Chegámos lá e começámos a meter tudo na ordem”.

MDLP

Rapidamente se tornou membro do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) ao longo do PREC – Processo Revolucionário em Curso.

É essa a organização terrorista, de extrema-direita, que tentou um golpe de Estado no dia 11 de Março de 1975, associada a diversos atentados à bomba.

Um desses atentados matou, já em 1976, o padre Max e uma estudante que o acompanhava, Maria de Lurdes. Membros do MDLP foram a tribunal – mas nunca foram condenados; faltavam provas claras. A organização em si, o MDLP, foi considerada culpada, mas ninguém foi alvo de pena de prisão.

O MDLP estava ligado ao Movimento Maria da Fonte e ao Exército de Libertação de Portugal; cruzavam fontes, colaboradores e patrocinadores.

Refira-se que o líder do MDLP era António de Spínola.

Não há condenação, não há terrorista

Voltando ao debate com Mariana Mortágua, André Ventura assegurou que Diogo Pacheco Amorim “nunca foi condenado por tribunal nenhum”.

O próprio Diogo Pacheco de Amorim disse à Sábado que o MDLP tinha três sectores separados e que nunca teve qualquer contacto com os responsáveis pelos (eventuais) atentados: “Se houve bombas postas, nós nunca soubemos, nem daríamos acordo a uma coisas dessas”.

E deixou uma garantia: o MDLP nada teve a ver com o assassinato do padre Max: “É uma questão cronológica: no 25 de Novembro (de 1975) o MDLP acabou. Não foi dissolvido oficialmente por questões burocráticas, mas já não existia” – o padre Max morreu em Abril de 1976.

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

 

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