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A situação mundial em relação ao massacre em Gaza

16-02-2024 - Thierry Meyssan

A cada instante, as pessoas interrogam-se se o massacre em Gaza não vai degenerar em Guerra mundial. Isso poderia passar-se, mas não é o caso. Todos os protagonistas do Levante agem com contenção, evitando todos o irreparável, enquanto os supremacistas judaicos da coligação de Benjamin Netanyahu avançam inexoravelmente os seus peões.

A o fim de quatro meses de guerra em Gaza contra o povo palestiniano e contra a corrente do Hamas pertencente à Resistência Palestiniana, mas nunca contra a que obedece à Confraria dos Irmãos Muçulmanos, os diferentes actores revelaram a sua posição.

Enquanto para os seus cidadãos finge lutar contra o Hamas em geral, a (coligação-br) de Benjamin Netanyahu trabalha para aterrorizar os Palestinos de Gaza e fazê-los fugir. As privações, as torturas e os massacres não são um fim em si mesmo, apenas meios para conseguir anexar esta terra.
O Ansar Allah, o poderoso Partido político iemenita, tomou a iniciativa de atacar no Mar Vermelho os navios israelitas ou navios fazendo escala em Israel, exigindo assim o fim do massacre em Gaza. Progressivamente, ele atacou igualmente navios ligados aos Estados que apoiam este massacre. O Conselho de Segurança das Nações Unidas recordou que o Direito Internacional interdita atacar navios civis, embora reconhecendo que o problema não será resolvido enquanto o massacre prosseguir.

Os Estados Unidos, ao mesmo tempo que se opunham ao massacre de civis palestinianos, mostraram-se solidários com a população israelita judaica na sua vingança cega contra estes. Continuaram a fornecer bombas às FDI, enquanto apelavam a Telavive para deixar entrar a necessária ajuda humanitária. Dentro da mesma linha política, tomaram a cargo o problema posto pela resistência dos Iemenitas criando a Operação « Guardião da Prosperidade ». Envolveram os seus comparsas ocidentais, violando a autoridade do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que jamais autorizou qualquer intervenção militar no Iémen. Porém, ao fim de dois dias, o Estado-Maior militar francês retirou-se desta aliança destacando a sua objecção de consciência em avalizar o massacre de Gaza. Além disso, os bombardeamentos dos Ocidentais não conseguiram atingir os centros militares do Ansar Allah.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que acabam de travar uma longa guerra no Iémen, abstiveram-se de aderir à «Guardião da Prosperidade» e, em vez disso, assinaram um acordo de paz com o Ansar Allah. Todos concordaram com a posição da Liga Árabe, formulada em 2002 : reconhecimento e normalização com Israel somente após a criação de um Estado Palestiniano.

O Egipto que, por efeito dominó, perdeu 45% dos seus rendimentos com o Canal do Suez não se virou contra o Ansar Allah. Pelo contrário, o Cairo entrou em contacto com ele e publicamente saudou o seu esforço em favor do povo palestiniano. Quando muito apelou aos seus interlocutores para não bloquearem totalmente o mar Vermelho. Os navios chineses e russos continuam a circular livremente e o Ansar Allah anunciou que restringia os seus alvos.

O Irão, depois de apelar aos seus diferentes parceiros do Eixo da Resistência para não agravarem a situação, saiu subitamente da sua reserva. Teerão bombardeou locais ligados a Israel ou aos Estados Unidos em três Estados distintos: parte da Síria ocupada ilegalmente pelos Estados Unidos, o Iraque, onde a sua presença é legal, mas não algumas das suas actividades, e o Paquistão, onde eles apoiam um movimento separatista do Baluchistão.

A Casa Branca respondeu que estes ataques não ficariam impunes, mas nada fez no imediato. Se a sua resposta for leve, todos os protagonistas concluirão que Washington não passa de um «tigre de papel», se for forte, corre o risco de abrir a via a uma Terceira Guerra mundial.

A Síria aplaudiu. O Iraque protestou, assegurando, em voz baixa, que nunca houve base da Mossad na sua região autónoma do Curdistão. Depois solicitou às Forças Ocidentais para se retirarem do país.
O Paquistão, de quem Washington esperava que o novo governo se mostrasse pronto a entrar em guerra contra o Irão, uniu-se, sob a influência do seu exército, a Teerão na luta contra os separatistas pró-EUA.

Foi neste contexto que o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) emitiu a sua sentença cautelar no quadro do caso opondo a África do Sul a Israel, que ela acusa de deixar perpetrar um genocídio sob responsabilidade de alguns dos seus dirigentes. O Tribunal, presidido por uma antiga funcionária do Departamento de Estado dos EUA, chegou, por uma maioria esmagadora de 15 juízes contra 2, a uma decisão que corresponde em todos os pontos à posição dos Estados Unidos : reconheceu que havia suspeita de genocídio e ordenou a Israel que velasse para deixar entrar em Gaza a ajuda humanitária necessária, mas teve o cuidado de não ir mais longe. Ele nada disse sobre as exigências de reparação para as vítimas, nem sobre a condenação por Israel de indivíduos culpados de genocídio. Acima de tudo, absteve-se de dizer que «o Estado israelita deve suspender imediatamente as suas operações militares no interior e contra Gaza».

Fingindo concordar em aceitar esta decisão, Israel libertou a passagem de Rafah e anunciou medidas a favor da passagem de ajuda humanitária internacional. No entanto, simultaneamente, acusou a agência das Nações Unidas encarregada de distribuir esta ajuda (UNRWA) de ser um abrigo de «terroristas». Enviou a Washington provas da participação de 12 empregados da Agência na operação de 7 de Outubro. De imediato, os Estados Unidos suspenderam a sua ajuda e convenceram uma dúzia de Estados comparsas a segui-los. Subitamente privada de meios, a UNRWA não tem, pois, já a possibilidade de encaminhar esta ajuda para Gaza e de a distribuir.

Washington, que até agora defendia a ajuda humanitária aos civis, endureceu, pois, a sua posição ao participar na destruição da agência apropriada das Nações Unidas. No entanto, prossegue o seu sonho de uma «solução de dois Estados». Avançando para uma dissolução da UNRWA, os Ocidentais privam os palestinianos apátridas de passaportes que apenas as Nações Unidas lhes podem fornecer. De facto, eles impedem também o exílio «voluntário» desta população bombardeada e faminta que a União Europeia já se aprestava para receber.

Encorajada por este apoio, a coligação de Benjamin Netanyahu apareceu num acontecimento festivo, organizado pela rádio Kol Barama no Centro Internacional de Convenções de Jerusalém. O evento denominava-se : « Conferência pela Vitória de Israel – Os Colonatos trazem Segurança : voltar à Faixa de Gaza e ao Norte da Samaria ». Oradores, entre os quais Itamar Ben-Gvir, Ministro da Segurança Nacional e presidente do Partido Força Judaica (Otzma Yehudit), garantiram que nunca haveria paz com os Árabes e que apenas a colonização de toda a Palestina podia trazer a segurança aos judeus. O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, presente no local, aprovou.

Estas declarações belicosas chocaram a Oposição à coligação, quer a que está fora do governo de guerra (como Yaïr Lapid) quer a que dele faz parte (como Yaakov Margi ou o General Benny Ganz). Acima de tudo, elas exasperaram Washington, que reagiu de duas maneiras a esta bofetada. Primeiro, pediu aos seus cúmplices para não receberem supremacistas judeus (como Amichai Chikli, Ministro dos Assuntos da Diáspora, que era esperado em Berlim), depois decretou sanções contra alguns deles. Estas medidas são mais importantes do que parece, uma vez que proíbem imediatamente qualquer angariação internacional de fundos e transferências bancárias. Elas deveriam enfraquecer rapidamente os supremacistas judeus e, por reflexo, favorecer a outra parte.

Rapidamente se soube que Washington tinha primeiro considerado incluir os ministros Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich na lista de pessoas sancionadas antes de a abandonar. Este último respondeu simplesmente que a acusação de Joe Biden, segundo a qual os colonos da Cisjordânia seriam violentos, é « uma mentira anti-semita espalhada entre os inimigos de Israel ».

Finalmente, o Pentágono utilizou o pretexto de um ataque contra um posto militar avançado em Al-Tanf, na Síria, (junto à fronteira da Jordânia-ndT), que causou três mortos entre os soldados dos EUA, para bombardear civis e combatentes aliados do Irão em oitenta e cinco locais diferentes, na Síria e no Iraque. A Síria declarou ter contabilizado 23 mortos e preparar-se para repelir o ocupante norte-americano, enquanto o Iraque, que ainda acolhe 1. 500 soldados, denunciou uma violação da sua soberania. Matar milicianos é um maneira para Washington de não atacar o Irão.

Thierry Meyssa

Fonte: Rede Voltaire

 

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